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Remédios para obesidade além das canetas: as opções aprovadas no Brasil
Antes e além da semaglutida e da tirzepatida, existem outros remédios aprovados para obesidade no Brasil. Veja como cada um age, o que os estudos mostram e por que alguns emagrecedores famosos estão proibidos.


Resposta rápida
No Brasil, os remédios para obesidade aprovados pela Anvisa são orlistate, sibutramina, a associação naltrexona com bupropiona, liraglutida, semaglutida e tirzepatida. Eles agem de formas diferentes: o orlistate reduz a absorção de gordura; a sibutramina e a naltrexona com bupropiona agem no cérebro; liraglutida, semaglutida e tirzepatida imitam hormônios do intestino. Anfepramona, femproporex e mazindol estão proibidos. A escolha depende do perfil de cada pessoa e é feita em consulta.
Em 30 segundos
- No estudo XENDOS, o orlistate reduziu em 37% o risco de diabetes tipo 2 em quatro anos em pessoas com obesidade.
- A sibutramina exige notificação de receita B2 e não é indicada para quem tem doença cardiovascular.
- A associação naltrexona com bupropiona foi aprovada pela Anvisa no fim de 2021.
- Em 2021, o STF derrubou a lei que liberava anfepramona, femproporex e mazindol, que seguem proibidos.
As canetas ocuparam quase toda a conversa sobre remédios para emagrecer, mas não são as únicas opções aprovadas. Para algumas pessoas, por perfil de saúde, tolerância ou custo, outro medicamento faz mais sentido. E há o lado oposto: substâncias que circulam em fórmulas e anúncios e que estão proibidas no país. Conhecer o mapa completo ajuda a entender por que a escolha é individual.
Quais remédios para obesidade são aprovados no Brasil?
Os remédios para obesidade aprovados pela Anvisa são seis, de quatro mecanismos diferentes:
| Medicamento | Como age | Forma de uso |
|---|---|---|
| Orlistate | Reduz a absorção de parte da gordura da refeição no intestino | Cápsula, nas refeições |
| Sibutramina | Aumenta a saciedade agindo em neurotransmissores do cérebro | Cápsula diária |
| Naltrexona com bupropiona | Age nos circuitos cerebrais de apetite e recompensa | Comprimido de liberação prolongada |
| Liraglutida | Imita o GLP-1, hormônio do intestino | Caneta diária |
| Semaglutida | Imita o GLP-1 | Caneta semanal |
| Tirzepatida | Imita o GLP-1 e o GIP | Caneta semanal |
Todos são indicados em bula para adultos com obesidade (IMC a partir de 30) ou com sobrepeso e doença associada, sempre junto com mudanças de alimentação e atividade física. A diferença está no mecanismo, na intensidade média da perda de peso, nos efeitos e nas contraindicações.
Orlistate: o remédio que age no intestino
O orlistate bloqueia parte da lipase, enzima que digere a gordura, e cerca de um terço da gordura da refeição deixa de ser absorvida e sai nas fezes. Ele não age no cérebro e não altera o apetite.
- Resultado: no estudo XENDOS, em quatro anos, quem usou orlistate perdeu em média 5,8 kg, contra 3,0 kg com placebo, e teve 37% menos risco de desenvolver diabetes tipo 2.
- Efeitos: fezes oleosas, urgência para evacuar e gases, mais intensos quando a refeição tem muita gordura. Na prática, funciona também como um "aviso" para reduzir gordura no prato.
- Cuidados: pode reduzir a absorção das vitaminas A, D, E e K, e o médico pode indicar reposição em horário separado.
Sibutramina: eficaz, mas com restrições importantes
A sibutramina aumenta a saciedade ao agir sobre serotonina e noradrenalina no cérebro. É um dos remédios mais antigos ainda em uso e tem regras próprias:
Regras da sibutramina no Brasil
- Exige notificação de receita B2 e termo de responsabilidade do prescritor, pela RDC nº 52/2011 da Anvisa
- Não é indicada para quem tem doença cardiovascular, como infarto, AVC, arritmia ou insuficiência cardíaca
- Pressão e frequência cardíaca precisam ser acompanhadas
A restrição tem base em dados: no estudo SCOUT, com pessoas de alto risco cardiovascular, muitas já com doença do coração, a sibutramina aumentou em 16% o risco de infarto e AVC não fatais. Em quem não tem doença cardiovascular e é bem selecionado, ela continua sendo uma opção.
Naltrexona com bupropiona: apetite e recompensa
A associação de naltrexona e bupropiona age em dois circuitos do cérebro: o que regula o apetite e o que liga a comida à sensação de recompensa. Foi aprovada pela Anvisa no fim de 2021.
- Resultado: no estudo COR-I, a perda média foi de 6,1% do peso em 56 semanas na dose principal, contra 1,3% no placebo.
- Perfil: pode ser considerada quando a "fome por prazer" e a vontade de comer fora de hora pesam muito.
- Cuidados: náusea, dor de cabeça e insônia são comuns no início; não é usada por quem tem convulsões, pressão alta não controlada ou usa opioides.
Liraglutida: a primeira caneta para obesidade
A liraglutida foi a primeira da família do GLP-1 aprovada para controle do peso, em aplicação diária. No estudo SCALE, com 3 mg por dia por 56 semanas, a perda média foi de 8,0% do peso, contra 2,6% no placebo. Hoje, a semaglutida e a tirzepatida, semanais e com perda média maior, ocupam a maior parte dessa indicação, mas a liraglutida continua sendo uma alternativa.
Comparação dos resultados médios
Perda de peso média nos estudos principais, descontado o placebo
Diferença entre o grupo do remédio e o grupo placebo, em pontos percentuais do peso inicial
Ver os dados em tabela
| Medicamento | Remédio | Placebo | Duração |
|---|---|---|---|
| Orlistate | -5,8 kg | -3,0 kg | 4 anos |
| Naltrexona + bupropiona (32 mg) | -6,1% | -1,3% | 56 semanas |
| Liraglutida 3 mg | -8,0% | -2,6% | 56 semanas |
| Semaglutida 2,4 mg | -14,9% | -2,4% | 68 semanas |
| Tirzepatida 15 mg | -20,9% | -3,1% | 72 semanas |
Perda de peso média não é o único critério. Tolerância, doenças associadas, proteção cardiovascular demonstrada, forma de uso e custo ao longo de meses pesam tanto quanto.
Emagrecedores proibidos no Brasil
Anfepramona, femproporex e mazindol foram proibidos pela Anvisa em 2011. Em 2017, uma lei tentou liberá-los, mas o Supremo Tribunal Federal a declarou inconstitucional em outubro de 2021, na ADI 5779: substâncias sem registro sanitário não podem ser liberadas por lei. Elas seguem proibidas.
As "fórmulas para emagrecer"
Também circulam fórmulas que misturam várias substâncias, como diuréticos, laxantes, hormônio da tireoide e calmantes. A Resolução CFM nº 1.477/1997 veda ao médico associar anfetamínicos a benzodiazepínicos, diuréticos, hormônios e laxantes para emagrecer. Além do risco, essas misturas fazem perder água e músculo, e não tratar a obesidade.
Sinais de alerta em um tratamento para emagrecer
- Várias substâncias misturadas em uma só cápsula
- Diurético ou laxante para "secar"
- Hormônio da tireoide sem doença da tireoide
- Promessa de quilos por semana
Remédios usados fora da bula
Alguns medicamentos aprovados para outras doenças, como topiramato e metformina, são às vezes usados no contexto do peso. O uso fora da bula é uma decisão médica individual, com justificativa e informação ao paciente, e não substitui os remédios aprovados para obesidade.
Como se escolhe o remédio
Coração. Doença cardiovascular afasta a sibutramina e favorece opções com benefício cardiovascular demonstrado.
Comportamento alimentar. Compulsão e "fome por prazer" mudam a escolha e pedem tratamento comportamental junto.
Glicemia. Pré-diabetes e diabetes favorecem os medicamentos que também controlam a glicose.
Tolerância e custo. Um tratamento que não pode ser mantido não protege o resultado.
A escolha do medicamento parte da avaliação completa da obesidade como doença crônica, com bioimpedância no consultório, exames e revisão dos remédios em uso.
Mitos e verdades sobre remédios para obesidade
Se existe caneta, os outros remédios ficaram obsoletos.
Cada remédio tem perfil próprio. Para algumas pessoas, por saúde, tolerância ou custo, outra opção faz mais sentido.
Fórmula manipulada com várias substâncias é mais eficaz.
Misturas com diurético, laxante ou hormônio fazem perder água e músculo e trazem riscos sem tratar a obesidade.
Remédio para obesidade é para quem não tem força de vontade.
A obesidade é uma doença crônica com base biológica. O remédio age nessa biologia, como em qualquer outra doença crônica.
Perguntas frequentes sobre remédios para obesidade
Qual o remédio para obesidade mais forte?
Nos estudos, a tirzepatida teve a maior perda de peso média, seguida da semaglutida. Mas o remédio adequado depende do seu perfil de saúde, e não só da média dos estudos.
Sibutramina ainda é vendida?
Sim. A sibutramina tem registro na Anvisa e é vendida com notificação de receita B2 e termo de responsabilidade do médico. Não é indicada para quem tem doença cardiovascular.
Orlistate emagrece mesmo?
Leva a uma perda média modesta, de alguns quilos acima do placebo, e no estudo XENDOS reduziu o risco de diabetes. O efeito é maior quando a alimentação também reduz gordura.
Anfepramona é permitida?
Não. Anfepramona, femproporex e mazindol são proibidos no Brasil desde 2011, e a tentativa de liberação por lei foi derrubada pelo STF em 2021.
Dá para combinar remédios para obesidade?
Em alguns casos, o médico pode associar medicamentos com mecanismos complementares. É uma decisão individual, que considera riscos e interações.
Fontes consultadas
- Torgerson JS et al. XENical in the prevention of diabetes in obese subjects (XENDOS) study. Diabetes Care. 2004;27(1):155-161. Acessar
- James WP et al. Effect of sibutramine on cardiovascular outcomes in overweight and obese subjects (SCOUT). N Engl J Med. 2010;363(10):905-917. Acessar
- Greenway FL et al. Effect of naltrexone plus bupropion on weight loss in overweight and obese adults (COR-I). Lancet. 2010;376(9741):595-605. Acessar
- Pi-Sunyer X et al. A Randomized, Controlled Trial of 3.0 mg of Liraglutide in Weight Management (SCALE). N Engl J Med. 2015;373(1):11-22. Acessar
- Anvisa. RDC nº 52/2011: proibição de anfepramona, femproporex e mazindol e controle da prescrição da sibutramina.
- Supremo Tribunal Federal. ADI 5779: julgamento da Lei nº 13.454/2017, outubro de 2021. Acessar
- Conselho Federal de Medicina. Resolução nº 1.477/1997. Acessar
Conteúdo informativo, escrito e revisado pela equipe médica da Clínica Higashi. Não substitui a consulta: diagnóstico e tratamento dependem de avaliação individual.



