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Artigos · Saúde mental e neuromodulação

Depressão resistente: o que é e quando considerar a EMTr

Dois antidepressivos e nada mudou? Isso não fecha portas. Veja o que revisar primeiro, quais são as opções e como funciona a estimulação magnética transcraniana.

Dr. Rafael Higashi
Revisado pelo Dr. Rafael HigashiMestre em Medicina (Reg. 0081/2008- UFF) · Neurologista (RQE 13728) · Nutrólogo (RQE 19627) · CRM-RJ 52.74345-3Publicado em · 6 min de leitura
Sessão de estimulação magnética transcraniana vista por trás, sem rostos visíveis

Resposta rápida

Fala-se em depressão resistente quando os sintomas continuam depois de pelo menos dois antidepressivos usados em dose e tempo adequados. Antes desse diagnóstico, é preciso revisar dose, adesão, diagnóstico e outras doenças. A EMTr é uma das opções seguintes: usa pulsos magnéticos sobre o córtex pré-frontal, é feita no consultório, com o paciente acordado e sem anestesia, e é reconhecida pelo CFM para depressão.

Em 30 segundos

  • A definição mais usada: falta de resposta a dois ou mais antidepressivos adequados.
  • Parte dos casos é pseudo-resistência: dose baixa, pouco tempo ou outra doença.
  • A EMT superficial é reconhecida pelo CFM para depressão (Resolução 1.986/2012).
  • O protocolo theta burst encurta a sessão para cerca de 3 minutos.

Você tentou um antidepressivo, depois outro. Esperou as semanas recomendadas, lidou com efeitos colaterais, e a sensação é de que nada mudou. É uma situação mais comum do que parece, e ela tem nome. Mais importante: ela tem caminhos. Este artigo mostra o que precisa ser revisado antes de tudo e onde a estimulação magnética transcraniana se encaixa.

O que é depressão resistente?

Depressão resistente ao tratamento é a depressão que continua presente depois de pelo menos dois antidepressivos diferentes, em dose adequada e por tempo suficiente. O nome descreve o histórico do tratamento, e não um destino: é o sinal para reavaliar o caso com mais cuidado.

2 ou maisantidepressivos adequados sem a resposta esperada
4 a 8 semanasem dose adequada costumam ser necessárias para avaliar cada tentativa
Revisãovem antes de qualquer novo tratamento

Antes de chamar de resistente: o que revisar

Parte dos casos que parecem resistentes é, na verdade, pseudo-resistência: o tratamento não teve condições de funcionar. Leve estas perguntas para a consulta:

Checklist da revisão

  • A dose de cada medicamento foi suficiente, e pelo tempo necessário, em geral de quatro a oito semanas?
  • O remédio foi tomado todos os dias, sem interrupções?
  • Existe a possibilidade de depressão bipolar, que pede outro tratamento?
  • Hipotireoidismo, anemia, falta de vitamina B12 ou apneia do sono foram investigados?
  • Álcool, outras substâncias ou outros remédios podem estar interferindo?
  • Houve psicoterapia estruturada junto com o medicamento?
  • O metabolismo dos remédios pode estar diferente do esperado?

Queixas de memória e concentração também merecem atenção: os sintomas cognitivos da depressão podem ser confundidos com outras doenças, e vice-versa. Depois de várias trocas sem resultado, o perfil genético neurofarmacológico pode ajudar a entender como o seu corpo processa os medicamentos. Essa revisão é o ponto de partida da avaliação para depressão resistente.

Quais são as opções depois de dois antidepressivos?

Não existe uma ordem única. A escolha depende da gravidade, do histórico, das suas preferências e dos riscos de cada caminho.

Ajustar os remédios

Outra classe, dose maior ou associação de medicamentos.

Cada tentativa leva semanas

Psicoterapia

TCC e outras abordagens estruturadas, junto com os demais tratamentos.

Combina com todas as opções

EMTr

Pulsos magnéticos sobre o córtex pré-frontal, em sessões no consultório.

Sem anestesia, poucos efeitos no corpo

Escetamina

Spray nasal aplicado em ambiente clínico monitorado.

Aprovada pela Anvisa para depressão resistente

Eletroconvulsoterapia

Estímulo elétrico sob anestesia, em hospital.

Muito eficaz nos quadros graves

Revisar o diagnóstico

Tratar doenças que mantêm os sintomas, como tireoide ou apneia.

Às vezes, a peça que faltava

Escolher entre EMTr e troca de medicamento é uma das conversas mais frequentes na consulta. A cetamina, diferente da escetamina, é uso fora da bula para depressão, sem aprovação da Anvisa para essa finalidade.

Como a EMTr age no cérebro

A estimulação magnética transcraniana repetitiva (EMTr) usa uma bobina apoiada sobre a cabeça para gerar pulsos magnéticos. Eles atravessam o crânio sem dor e induzem pequenas correntes elétricas em uma área específica do córtex.

Onde a EMTr atua na depressão

Esquema simplificado, sem escala

Bobina Córtex pré-frontaldorsolateral Área ligada à regulaçãodo humor, com atividadereduzida na depressão
A estimulação repetida, ao longo de semanas, modula essa região e as redes conectadas a ela.

Reconhecimento e evidência

  1. 2008

    Primeira liberação de um equipamento de EMTr para depressão

    FDA
  2. 2012

    Resolução 1.986 reconhece a EMT superficial para depressões uni e bipolar, alucinações auditivas e planejamento de neurocirurgia

    CFM
  3. 2018

    Estudo THREE-D: protocolo theta burst com resultado semelhante ao clássico

    The Lancet

Duração de cada sessão

Protocolos comparados no estudo THREE-D, em minutos

Clássico (10 Hz) 37,5 Theta burst 3
Fonte: Blumberger et al., The Lancet, 2018; American Journal of Psychiatry, 2024. O protocolo é definido pelo médico para cada caso.
Ver os dados em tabela
ProtocoloDuração aproximada
Clássico, 10 Hz37,5 minutos
Theta burst intermitente3 minutos

Como é o tratamento, passo a passo

  1. AvaliaçãoRevisão do diagnóstico, dos tratamentos anteriores e das contraindicações.
  2. PlanejamentoAlvo, protocolo e intensidade, ajustada ao limiar motor de cada pessoa.
  3. SessõesEm geral diárias, de segunda a sexta, nas primeiras semanas.
  4. AcompanhamentoAvaliação dos sintomas e, se houver melhora, plano de manutenção.
Sala de neuromodulação da Clínica Higashi, em Botafogo
As sessões acontecem em uma sala preparada, com o paciente sentado e acordado.

Os detalhes da rotina das sessões, como duração, frequência e o que fazer antes e depois, são explicados na avaliação. Veja também como funciona a EMTr na clínica.

Mitos e verdades sobre a EMTr

Mito

EMTr é eletrochoque.

Verdade

A EMTr usa pulsos magnéticos, com o paciente acordado e sem anestesia, e não tem o objetivo de provocar convulsão. A eletroconvulsoterapia é outro tratamento, feito sob anestesia geral.

Mito

A sessão dói.

Verdade

O mais comum é sentir batidas leves no couro cabeludo e, às vezes, dor de cabeça nas primeiras sessões, que tende a diminuir.

Mito

Quem faz EMTr precisa parar o antidepressivo.

Verdade

Na maioria dos casos, a EMTr é feita junto com o tratamento em uso. Qualquer ajuste é decidido pelo médico.

Mito

A EMTr serve para qualquer problema.

Verdade

Pelo CFM, a EMT superficial é reconhecida para depressões uni e bipolar, alucinações auditivas na esquizofrenia e planejamento de neurocirurgia. A indicação é sempre definida na consulta, caso a caso.

Segurança

Efeitos mais comuns

  • Dor de cabeça leve
  • Desconforto no couro cabeludo durante a sessão
  • Costumam diminuir nas primeiras semanas
  • Convulsão é um evento raro

Contraindicações e cuidados

  • Contraindicada com objetos metálicos ferromagnéticos na cabeça ou perto da bobina, como clipes de aneurisma e fragmentos metálicos
  • Contraindicada com implante coclear, estimulador cerebral ou do nervo vago
  • Obturações e aparelhos dentários em geral não impedem
  • Histórico de epilepsia exige avaliação cuidadosa

Mais detalhes em segurança e efeitos colaterais da EMTr.

Quem pode se beneficiar

  • Adultos com depressão que não responderam a antidepressivos adequados
  • Quem teve efeitos colaterais que impediram continuar os remédios
  • Quem prefere uma opção sem anestesia e com poucos efeitos no corpo
  • Pessoas com depressão bipolar, com o tratamento do humor ajustado

Em depressões muito graves, com sintomas psicóticos ou risco elevado, outras opções, como a eletroconvulsoterapia ou a internação, podem vir primeiro.

EMTr e psicoterapia, juntas

A EMTr age sobre a atividade cerebral; a psicoterapia trabalha pensamentos, comportamentos e rotina. Na depressão, a ativação comportamental ajuda a retomar atividades com prazer e sentido. Na Clínica Higashi, a neuromodulação combinada à psicoterapia é planejada pelo médico e pela psicóloga. A visão geral está em neuromodulação cerebral.

Perguntas frequentes

A EMTr é reconhecida pelo CFM?

Sim. A Resolução CFM 1.986/2012 reconhece a EMT superficial para depressões unipolar e bipolar, alucinações auditivas na esquizofrenia e planejamento de neurocirurgia.

Em quanto tempo a EMTr faz efeito?

A resposta é avaliada ao longo das semanas de tratamento. Algumas pessoas percebem mudança nas primeiras semanas; outras, mais perto do fim do ciclo. Não há como prever o resultado individual antes de começar.

Quantas sessões são necessárias?

O número é definido pelo médico conforme o protocolo e a resposta. Em geral, as sessões são diárias nas primeiras semanas.

Depressão resistente tem tratamento?

Sim. Depois da revisão do caso, há opções como ajuste de medicamentos, psicoterapia, EMTr, escetamina e eletroconvulsoterapia, escolhidas conforme a gravidade e o histórico.

Dor crônica e depressão andam juntas com frequência: leia Dor crônica: quando procurar o médico da dor. Veja também Medicina integrativa: mito ou realidade? e Nutrologia na prevenção e na longevidade.

Fontes consultadas

  1. Conselho Federal de Medicina. Resolução CFM nº 1.986/2012: reconhece a estimulação magnética transcraniana superficial para depressões uni e bipolar, alucinações auditivas e planejamento de neurocirurgia. Acessar
  2. Conselho Federal de Medicina. Conselho aprova nova técnica para alucinações auditivas e depressões, 30 de abril de 2012. Acessar
  3. Blumberger DM et al. Effectiveness of theta burst versus high-frequency repetitive transcranial magnetic stimulation in patients with depression (THREE-D): a randomised non-inferiority trial. The Lancet, 2018;391:1683-1692.
  4. Theta Burst TMS Technology: Great Promise and a Lot to Learn. American Journal of Psychiatry, 2024. Acessar

Conteúdo informativo, escrito e revisado pela equipe médica da Clínica Higashi. Não substitui a consulta: diagnóstico e tratamento dependem de avaliação individual.

Retrato de Dr. Rafael Higashi

Sobre o autor

Dr. Rafael Higashi

O Dr. Rafael Higashi, neurologista, avalia a indicação de neuromodulação na Clínica Higashi, em Botafogo, revisando diagnóstico, tratamentos anteriores e o plano em conjunto com a psicologia.

  • Médico, CRM-RJ 52.74345-3
  • Neurologista, RQE 13728, com residência no Instituto de Neurologia Deolindo Couto (UFRJ)
  • Nutrólogo, RQE 19627, título de especialista pela ABRAN-AMB
  • Mestre em Medicina (Reg. 0081/2008- UFF), na área de Neurologia
  • Formação em medicina da dor pela New York University (NYU)

Diretor médico da Clínica Higashi, em Botafogo, com 25 anos de atuação. Atendimento particular.

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Já tentou mais de um antidepressivo?

A avaliação de neuromodulação revisa o seu histórico e explica, com expectativas realistas, se a EMTr faz sentido no seu caso.

A Clínica Higashi é uma clínica médica em Botafogo, no Rio de Janeiro, dirigida pelo Dr. Rafael Higashi, neurologista e nutrólogo, que integra neurologia, nutrologia, medicina da dor, neuromodulação cerebral, medicina integrativa e psicologia no cuidado do cérebro, da mente e do metabolismo.