Rua Real Grandeza, 108, sala 226, Botafogo (21) 3439-8999 (21) 98208-4972
Agendar consulta

Artigos · Obesidade e emagrecimento

Alimentação durante o uso de semaglutida e tirzepatida

Com a caneta, você come menos, e cada garfada passa a contar mais. Veja como montar o prato com pouca fome, o que fazer nos dias de enjoo e quais nutrientes acompanhar para proteger músculo e energia.

Dr. Rafael Higashi
Revisado pelo Dr. Rafael HigashiMestre em Medicina (Reg. 0081/2008- UFF) · Neurologista (RQE 13728) · Nutrólogo (RQE 19627) · CRM-RJ 52.74345-3Publicado em · 8 min de leitura
Refeição rica em proteína e água ao lado de uma caneta de medicamento em ambiente doméstico

Resposta rápida

Durante o uso de semaglutida ou tirzepatida, a alimentação prioriza proteína em todas as refeições, verduras, legumes e outras fontes de fibra, água ao longo do dia e alimentos pouco processados. Como o apetite cai, as porções ficam menores, e a ordem do prato importa: proteína primeiro, vegetais em seguida, carboidrato por último. Nos dias de enjoo, refeições pequenas e com pouca gordura ajudam. Vitamina B12, ferro, vitamina D e cálcio merecem acompanhamento.

Em 30 segundos

  • Em 2025, quatro sociedades americanas publicaram uma orientação conjunta de nutrição para quem usa medicamentos da família do GLP-1.
  • Com pouca fome, comer a proteína primeiro garante a parte do prato que protege o músculo.
  • Frituras, refeições grandes e bebidas com gás pioram enjoo, refluxo e arroto.
  • Comer muito pouco por semanas favorece perda de músculo, intestino preso, queda de cabelo e cansaço.

No começo do tratamento, muita gente se surpreende: o almoço que antes parecia pouco agora sobra no prato, e a vontade de beliscar à tarde simplesmente some. É o efeito esperado da caneta. O desafio muda de lugar: em vez de controlar a fome, passa a ser garantir que o pouco que você come entregue o que o corpo precisa.

Por que a alimentação muda durante o tratamento

A alimentação muda porque os agonistas do GLP-1 reduzem o apetite, aumentam a saciedade e deixam o estômago mais lento. O volume de comida cai, às vezes pela metade. Quando a escolha do que comer fica no automático, a parte que mais sai do prato costuma ser justamente a mais importante: proteína, verduras e legumes.

Menos proteína

Favorece a perda de músculo junto com a gordura.

Menos fibra e água

Leva a intestino preso, um dos efeitos mais comuns.

Menos nutrientes

Ferro, B12, vitamina D e cálcio podem cair em meses.

Em 2025, quatro sociedades americanas de nutrição e obesidade publicaram uma orientação conjunta sobre o tema. A mensagem central é simples: o medicamento reduz a quantidade, e a alimentação precisa compensar com qualidade.

As cinco prioridades do prato

  1. ProteínaEm todas as refeições principais, para proteger o músculo.
  2. Vegetais e fibrasVerduras, legumes, frutas, feijões e grãos integrais.
  3. ÁguaAo longo do dia, em pequenos goles, também fora das refeições.
  4. Comida de verdadeAlimentos in natura e minimamente processados, como recomenda o Guia Alimentar brasileiro.
  5. MicronutrientesFerro, B12, vitamina D e cálcio acompanhados em exames.

A ordem do prato importa quando a fome é pequena

Com saciedade precoce, você pode parar de comer na metade do prato. Por isso, a ordem vira estratégia:

Proteína→Verduras e legumes→Carboidrato

Começar pela proteína garante a parte que protege o músculo. Os vegetais vêm em seguida, pela fibra e pelos micronutrientes. O carboidrato fecha a refeição, na quantidade que ainda couber.

Quanto de proteína

A meta é individual e calculada sobre um peso de referência, e não sobre o peso atual. Como ponto de partida, muitas pessoas precisam de 25 a 30 g de proteína em cada refeição principal. Na prática, isso equivale a um filé de frango ou de peixe do tamanho da palma da mão, ou a dois ou três ovos com uma porção de queijo.

Como comer com pouca fome

  • Fracione: três refeições menores e um ou dois lanches com proteína são mais fáceis de tolerar do que duas refeições grandes.
  • Não pule refeições por falta de fome. Longos jejuns seguidos de uma refeição grande aumentam o enjoo.
  • Coma devagar, em pelo menos 15 a 20 minutos, e pare ao primeiro sinal de saciedade.
  • Use pratos menores: a porção parece adequada e o desperdício cai.
  • Mastigue bem. Pedaços grandes ficam mais tempo no estômago lento.

Um dia de exemplo com apetite reduzido

RefeiçãoExemploProteína aproximada
Café da manhã2 ovos mexidos, 1 fatia de pão integral e 1 frutacerca de 15 g
Lanche1 pote de iogurte natural com aveiacerca de 8 a 10 g
AlmoçoFilé de peixe (120 g), legumes refogados, salada e 2 colheres de arroz com feijãocerca de 30 g
LancheQueijo cottage com fruta, ou uma dose de proteína do soro do leitecerca de 10 a 20 g
JantarFrango desfiado (100 g) com legumes e purê de abóboracerca de 30 g

É um exemplo para visualizar quantidades, e não uma dieta. O plano real depende do seu peso de referência, da função dos rins, da rotina e dos exames.

Dr. Rafael Higashi orientando um paciente no consultório de nutrologia
O plano alimentar acompanha a fase do tratamento: adaptação, dose de manutenção e retirada pedem ajustes diferentes.

Hidratação: a parte mais esquecida

Com menos fome, muita gente também bebe menos. Some a isso o calor do Rio, o treino e eventuais episódios de diarreia ou vômito, e a desidratação aparece rápido: cansaço, tontura, dor de cabeça, intestino preso e, em casos mais intensos, risco para os rins.

Sinais de que falta água

  • Urina escura ou em pouca quantidade
  • Boca seca e sede ao acordar
  • Tontura ao levantar
  • Dor de cabeça no fim da tarde
  • Intestino mais preso do que o habitual

Deixar uma garrafa à vista e beber em pequenos goles ao longo do dia funciona mais do que grandes volumes de uma vez, que pioram a sensação de estômago cheio.

O que reduzir, sobretudo nos dias de sintomas

Os ajustes mais úteis se ligam ao mecanismo do remédio: tudo o que fica muito tempo no estômago piora os sintomas.

SintomaAjuste na alimentação
EnjooPorções pequenas, menos gordura e fritura, alimentos frios ou em temperatura ambiente
Arroto com gosto de ovoMenos volume por refeição, sem bebidas com gás, observar ovos e repolho em excesso
RefluxoJantar leve, pelo menos três horas antes de deitar; menos café e álcool à noite
Intestino presoMais água, fibras aumentadas aos poucos, frutas como mamão e ameixa, caminhada diária
DiarreiaRefeições leves, soro de reidratação oral quando frequente, menos gordura e adoçantes do tipo poliol

Nutrientes que precisam de acompanhamento

Comer menos por meses reduz também a entrada de vitaminas e minerais. Alguns merecem atenção especial:

Vitamina B12. Sobretudo em quem também usa metformina ou remédios para o estômago, que reduzem sua absorção.

Ferro. Com pouca carne vermelha e feijão no prato, a ferritina pode cair, principalmente em mulheres que menstruam.

Vitamina D e cálcio. Importantes para os ossos, que também sentem a perda de peso rápida.

Proteína total. Quando a meta não é atingida com comida, um suplemento pode completar.

Se a falta de algum nutriente se confirma, a reposição segue a linha de cuidado das deficiências de vitaminas e minerais, com dose e tempo definidos em consulta.

Na Clínica Higashi

Os exames de vitaminas e minerais entram no acompanhamento, e a bioimpedância no consultório mostra se a alimentação está protegendo o músculo.

Álcool durante o tratamento

Muitas pessoas relatam menos vontade de beber durante o uso da caneta. Quando houver consumo, a orientação é beber pouco, devagar e sempre com comida. O álcool piora enjoo, refluxo e desidratação, soma calorias sem nutrientes e, em quem usa remédios para diabetes, aumenta o risco de hipoglicemia.

A alimentação também prepara a saída

O período com pouca fome é a janela certa para criar hábitos: horários, proteína em cada prato, vegetais em quantidade. Quando a dose for reduzida ou o remédio suspenso, são esses hábitos que seguram o resultado.

Mitos e verdades sobre comer usando a caneta

Mito

Se não tenho fome, posso pular refeições.

Verdade

Pular refeições reduz proteína e nutrientes e costuma piorar o enjoo na refeição seguinte. Porções pequenas e regulares funcionam mais.

Mito

Com a caneta, qualquer comida serve, porque o peso vai cair de qualquer jeito.

Verdade

O tipo de comida decide se o peso perdido será gordura ou músculo, e como você vai se sentir durante o tratamento.

Mito

Quem usa caneta precisa de dieta sem carboidrato.

Verdade

Carboidratos de boa qualidade, como feijão, frutas e grãos integrais, trazem fibra e energia. A ordem e a quantidade importam mais do que cortar.

Perguntas frequentes sobre alimentação durante o tratamento

O que comer quando estou enjoado com a caneta?

Porções pequenas, com pouca gordura, em temperatura ambiente ou frias: iogurte, frutas, torradas, frango desfiado, sopas leves. Beba líquidos em pequenos goles entre as refeições.

Preciso tomar suplemento de proteína?

Só quando a meta não é atingida com comida. Ele é útil nos dias de pouca fome, mas não substitui as refeições.

Posso tomar café usando a caneta?

Pode. Se houver refluxo ou enjoo, prefira menos quantidade, longe do jantar e não em jejum.

Preciso de multivitamínico?

Depende do quanto você está comendo e dos exames. Quando a ingestão fica muito baixa por semanas, o médico pode indicar.

Quantas refeições por dia devo fazer?

Em geral, três refeições principais e um ou dois lanches com proteína, todas em porções menores do que antes do tratamento.

Fontes consultadas

  1. Mozaffarian D et al. Nutritional priorities to support GLP-1 therapy for obesity: a joint Advisory from the American College of Lifestyle Medicine, the American Society for Nutrition, the Obesity Medicine Association, and The Obesity Society. Am J Clin Nutr. 2025;122(1):344-367. Acessar
  2. Mechanick JI et al. Strategies for minimizing muscle loss during use of incretin-mimetic drugs for treatment of obesity. Obes Rev. 2025;26(1):e13841. Acessar
  3. Bauer J et al. Evidence-based recommendations for optimal dietary protein intake in older people: a position paper from the PROT-AGE Study Group. J Am Med Dir Assoc. 2013;14(8):542-559. Acessar
  4. Ministério da Saúde. Guia alimentar para a população brasileira, 2ª edição, 2014. Acessar

Conteúdo informativo, escrito e revisado pela equipe médica da Clínica Higashi. Não substitui a consulta: diagnóstico e tratamento dependem de avaliação individual.

Retrato de Dr. Rafael Higashi

Sobre o autor

Dr. Rafael Higashi

O Dr. Rafael Higashi orienta a alimentação de quem usa medicamentos para obesidade na Clínica Higashi, em Botafogo, com foco em proteína, composição corporal e exames.

  • Médico, CRM-RJ 52.74345-3
  • Neurologista, RQE 13728, com residência no Instituto de Neurologia Deolindo Couto (UFRJ)
  • Nutrólogo, RQE 19627, título de especialista pela ABRAN-AMB
  • Mestre em Medicina (Reg. 0081/2008- UFF), na área de Neurologia
  • Formação em medicina da dor pela New York University (NYU)

Diretor médico da Clínica Higashi, em Botafogo, com 25 anos de atuação. Atendimento particular.

Leia também

Quer um plano alimentar para o seu tratamento?

A consulta de nutrologia ajusta proteína, porções e exames ao seu apetite, à sua rotina e à fase do tratamento.

A Clínica Higashi é uma clínica médica em Botafogo, no Rio de Janeiro, dirigida pelo Dr. Rafael Higashi, neurologista e nutrólogo, que integra neurologia, nutrologia, medicina da dor, neuromodulação cerebral, medicina integrativa e psicologia no cuidado do cérebro, da mente e do metabolismo.