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Artigos · Obesidade e emagrecimento

Caneta emagrecedora e perda de massa muscular: como proteger o músculo

Parte do peso que sai com a caneta é massa magra. Veja o que os estudos mediram, por que o músculo importa tanto e o plano de proteína, treino e medidas que protege a sua massa muscular.

Dr. Rafael Higashi
Revisado pelo Dr. Rafael HigashiMestre em Medicina (Reg. 0081/2008- UFF) · Neurologista (RQE 13728) · Nutrólogo (RQE 19627) · CRM-RJ 52.74345-3Publicado em · 8 min de leitura
Treino de força com halteres para preservar massa muscular durante o tratamento da obesidade

Resposta rápida

Com semaglutida e tirzepatida, a massa magra responde por cerca de 25% a 40% do peso perdido, segundo os estudos com medida de composição corporal. Parte disso é água e órgãos, mas o músculo também diminui. Para proteger a massa muscular, o tratamento combina proteína suficiente distribuída nas refeições, treino de força pelo menos duas vezes por semana e medida da composição corporal no início e ao longo do tratamento.

Em 30 segundos

  • Na análise de composição corporal do SURMOUNT-1, saíram cerca de três partes de gordura para cada parte de massa magra.
  • O músculo é o principal destino da glicose depois das refeições: perdê-lo pesa no metabolismo.
  • Depois dos 65 anos, o grupo PROT-AGE recomenda 1,0 a 1,2 g de proteína por kg por dia, e 1,2 a 1,5 g na presença de doença.
  • A proteína deve ser calculada sobre um peso de referência, e não sobre o peso atual de quem tem obesidade.

A balança mostra dez quilos a menos, mas subir a escada parece mais difícil do que antes. Essa combinação aparece com frequência em quem emagrece rápido, com ou sem caneta, e tem explicação: nem todo peso que sai é gordura. A boa notícia é que a perda de músculo pode ser medida, prevista e, em grande parte, evitada.

A caneta emagrecedora faz perder músculo?

Sim, parte do peso perdido com a caneta é massa magra, e isso acontece em qualquer emagrecimento, não só com remédio. Nos estudos com semaglutida e tirzepatida que mediram a composição corporal, a massa magra respondeu por cerca de 25% a 40% do peso perdido.

Dois detalhes mudam a leitura desse número:

  • Massa magra não é só músculo. Inclui água, órgãos e tecido conjuntivo. Parte da redução é a adaptação natural de um corpo que passou a carregar menos peso.
  • A proporção de gordura cai mais do que a de massa magra. Em percentual, a composição do corpo tende a melhorar, mesmo com perda de músculo em quilos.

De onde vem o peso perdido

Composição aproximada do peso perdido com tirzepatida na análise por DEXA do SURMOUNT-1

Gordura · cerca de 3 partes Massa magra · 1 parte Proporção média em quem usou tirzepatida. Nos estudos com semaglutida, a massa magra variou de cerca de 25% a 40% do peso perdido.
Fontes: Look M et al., Diabetes Obes Metab, 2025; Neeland IJ et al., Diabetes Obes Metab, 2024.

Estudos com ressonância magnética sugerem ainda que a gordura infiltrada dentro do músculo diminui com esses medicamentos, o que pode melhorar a qualidade muscular. Ou seja: o músculo pode ficar menor e, ao mesmo tempo, mais "limpo". O que não se pode é deixar que a quantidade caia além do necessário.

Por que o músculo importa tanto no tratamento da obesidade

O músculo é muito mais do que força. Na obesidade, ele é um órgão metabólico central.

Glicose

O músculo é o principal destino da glicose depois das refeições. Menos músculo significa mais dificuldade de controlar o açúcar no sangue.

Gasto de energia

Ele participa do gasto em repouso. Perder músculo reduz o metabolismo basal e facilita o reganho.

Autonomia

Força para subir escadas, carregar peso e evitar quedas depende dele, sobretudo depois dos 60 anos.

Por isso, o objetivo do tratamento nunca é só "perder peso". É perder gordura, preservar músculo e manter o resultado, a estratégia que orienta o atendimento de composição corporal.

Quem tem mais risco de perder músculo com a caneta

Pessoas acima de 60 anos. A perda de músculo com a idade, a sarcopenia, já está em curso.

Quem come muito pouco. Com o apetite reduzido, a proteína costuma ser a primeira a faltar.

Quem não faz treino de força. Sem estímulo, o corpo economiza músculo.

Quem tem doenças crônicas. Diabetes, doença renal ou inflamação persistente aceleram a perda.

Como medir se você está perdendo músculo

A balança não separa gordura de músculo. Para isso, existem métodos de composição corporal e testes de força.

MétodoO que mostraQuando usar
BioimpedânciaMúsculo, gordura, gordura visceral e água, por segmento do corpoNo início e nos retornos, sempre no mesmo aparelho e nas mesmas condições
DEXAGordura, massa magra e osso, com alta precisãoQuando é preciso detalhar ou avaliar também a densidade óssea
Teste de sentar e levantarForça das pernas: levantar cinco vezes da cadeira, sem usar os braçosMais de 15 segundos sugere força reduzida, pelo consenso europeu de sarcopenia
Circunferência da panturrilha e da cinturaSinais indiretos de músculo e gordura abdominalEm toda consulta, como acompanhamento simples
Paciente sobre o aparelho de bioimpedância InBody na Clínica Higashi
Para comparar duas medidas de bioimpedância, as condições precisam ser parecidas: mesmo horário, jejum semelhante e sem treino intenso antes.

Para a bioimpedância ser comparável

  • Mesmo horário do dia, de preferência pela manhã
  • Sem treino intenso nas 12 horas anteriores
  • Bexiga vazia
  • Sem excesso de álcool ou café na véspera
  • Fora do período menstrual, quando possível

Quanta proteína comer durante o tratamento

A proteína é o principal nutriente de proteção do músculo durante o emagrecimento. Para pessoas acima de 65 anos, o grupo europeu PROT-AGE recomenda 1,0 a 1,2 g de proteína por kg de peso por dia, e 1,2 a 1,5 g na presença de doenças agudas ou crônicas. Na prática, especialistas costumam partir de faixas semelhantes durante o emagrecimento com medicação, ajustando à função dos rins e a cada caso.

O erro mais comum: calcular sobre o peso atual

Em quem tem obesidade, multiplicar a meta pelo peso atual superestima a necessidade e gera metas impossíveis de cumprir com o apetite reduzido. O cálculo é feito sobre um peso de referência, definido na consulta.

1,2 g × 70 kg de peso de referência = cerca de 84 g de proteína por dia, ou 3 refeições de 25 a 30 g

Distribuir é tão importante quanto somar

O músculo aproveita mais 25 a 30 g de proteína em cada refeição do que uma refeição grande e duas pobres. Com pouca fome, a proteína vem primeiro no prato.

PorçãoProteína aproximada
100 g de peito de frango cozidocerca de 30 g
120 g de filé de peixe cozidocerca de 25 g
1 xícara de lentilha cozidacerca de 18 g
3 ovoscerca de 18 g
100 g de queijo cottagecerca de 11 g
1 dose (30 g) de proteína do soro do leitecerca de 20 a 24 g

Os suplementos de proteína ajudam quando o apetite está muito baixo, mas não substituem o planejamento das refeições.

Treino de força: a parte que nenhum remédio substitui

A Organização Mundial da Saúde recomenda exercícios de fortalecimento muscular em pelo menos dois dias por semana, envolvendo os grandes grupos musculares. Durante o uso da caneta, esse é o principal sinal para o corpo manter o músculo.

  1. FrequênciaDuas a três sessões por semana, com intervalo entre os grupos trabalhados.
  2. Carga progressivaO peso ou a dificuldade aumentam aos poucos, quando as repetições ficam fáceis.
  3. Grandes gruposPernas, costas, peito e braços: agachar, empurrar, puxar e carregar.
  4. OrientaçãoProfissional de educação física, sobretudo para quem está começando ou tem dor articular.
Paciente fazendo treino de força com halteres sob orientação

Caminhar faz bem ao coração, ao humor e ao gasto de energia, mas não substitui o treino de força na proteção do músculo.

O plano completo de proteção do músculo

Antes de começar

  • Composição corporal de base
  • Teste de força simples
  • Exames: função renal, vitamina D, ferro
  • Meta de proteína calculada sobre o peso de referência

Durante o tratamento

  • Proteína em todas as refeições principais
  • Treino de força duas a três vezes por semana
  • Nova composição corporal a cada etapa
  • Ajuste do ritmo da dose se a perda for rápida demais
Na Clínica Higashi

O Dr. Rafael Higashi mede a composição corporal no consultório desde a primeira consulta e acompanha o tratamento com medicamentos para obesidade olhando o músculo, e não só a balança.

Sinais de que o músculo está sendo perdido

  • Mais dificuldade para subir escadas ou levantar da cadeira
  • Cansaço desproporcional em atividades antes fáceis
  • Carga do treino que cai, em vez de subir
  • Bioimpedância com queda da massa muscular maior do que a esperada

Diante desses sinais, o plano é revisto: mais proteína, ajuste do treino, investigação de deficiências e, quando necessário, ritmo de dose mais lento.

Mitos e verdades sobre caneta e músculo

Mito

A caneta "come" o músculo.

Verdade

Qualquer emagrecimento reduz massa magra. A proporção de músculo perdido depende muito de proteína, treino e ritmo de perda.

Mito

Se a balança está caindo, está tudo certo.

Verdade

Só a composição corporal mostra se o peso perdido foi gordura ou músculo.

Mito

Quanto mais proteína, mais músculo.

Verdade

Acima da necessidade, a proteína extra não vira músculo. A dose certa, distribuída nas refeições, junto com o treino, é o que funciona.

Perguntas frequentes sobre caneta e massa muscular

Quanto músculo se perde com a caneta?

Nos estudos, a massa magra respondeu por cerca de 25% a 40% do peso perdido. Parte é água e órgãos; a parte que é músculo pode ser reduzida com proteína e treino de força.

Preciso tomar suplemento de proteína?

Nem sempre. Ele ajuda quando o apetite está muito baixo e a meta não é atingida com comida, mas o planejamento das refeições vem primeiro.

Dá para ganhar músculo usando caneta?

Quem começa a treinar força durante o tratamento pode manter ou até ganhar músculo, sobretudo nos primeiros meses de treino, com proteína suficiente.

A partir de que idade o risco é maior?

O risco cresce depois dos 60 anos, quando a sarcopenia já pode estar presente. Nessa fase, a composição corporal e a força devem ser medidas antes de começar.

Com que frequência repetir a bioimpedância?

O médico define conforme a fase do tratamento. Em geral, a medida é repetida nas mudanças de etapa, como após alguns meses na dose de manutenção.

Fontes consultadas

  1. Neeland IJ, Linge J, Birkenfeld AL. Changes in lean body mass with glucagon-like peptide-1-based therapies and mitigation strategies. Diabetes Obes Metab. 2024;26 Suppl 4:16-27. Acessar
  2. Look M et al. Body composition changes during weight reduction with tirzepatide in the SURMOUNT-1 study of adults with obesity or overweight. Diabetes Obes Metab. 2025;27(5):2720-2729. Acessar
  3. Mechanick JI et al. Strategies for minimizing muscle loss during use of incretin-mimetic drugs for treatment of obesity. Obes Rev. 2025;26(1):e13841. Acessar
  4. Bauer J et al. Evidence-based recommendations for optimal dietary protein intake in older people: a position paper from the PROT-AGE Study Group. J Am Med Dir Assoc. 2013;14(8):542-559. Acessar
  5. Cruz-Jentoft AJ et al. Sarcopenia: revised European consensus on definition and diagnosis (EWGSOP2). Age Ageing. 2019;48(1):16-31. Acessar
  6. Organização Mundial da Saúde. Diretrizes sobre atividade física e comportamento sedentário, 2020. Acessar

Conteúdo informativo, escrito e revisado pela equipe médica da Clínica Higashi. Não substitui a consulta: diagnóstico e tratamento dependem de avaliação individual.

Retrato de Dr. Rafael Higashi

Sobre o autor

Dr. Rafael Higashi

O Dr. Rafael Higashi acompanha o tratamento medicamentoso da obesidade na Clínica Higashi, em Botafogo, com bioimpedância no consultório para separar a perda de gordura da perda de músculo.

  • Médico, CRM-RJ 52.74345-3
  • Neurologista, RQE 13728, com residência no Instituto de Neurologia Deolindo Couto (UFRJ)
  • Nutrólogo, RQE 19627, título de especialista pela ABRAN-AMB
  • Mestre em Medicina (Reg. 0081/2008- UFF), na área de Neurologia
  • Formação em medicina da dor pela New York University (NYU)

Diretor médico da Clínica Higashi, em Botafogo, com 25 anos de atuação. Atendimento particular.

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A Clínica Higashi é uma clínica médica em Botafogo, no Rio de Janeiro, dirigida pelo Dr. Rafael Higashi, neurologista e nutrólogo, que integra neurologia, nutrologia, medicina da dor, neuromodulação cerebral, medicina integrativa e psicologia no cuidado do cérebro, da mente e do metabolismo.